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segunda-feira, dezembro 04, 2006


PRIMAVERA DE DOMINGO



Ele diz que o branco fica tão bom quanto o azul ou o florido. Que tanto faz o cabelo preso ou solto. Vestido curto, logo abaixo dos joelhos ou mais comprido. As marcas de expressão que surgem quando sorrio, ele adora. Me conta que são duas linhas ao lado do olho direito e do olho esquerdo são três. Observa, contempla, enumera. Vê graça nos detalhes em que nunca reparei.
Enquanto ele trabalha me acomodo na rede e leio. Finjo não perceber que me olha de soslaio. Simulo surpresa quando ele diz que me viu chorar imersa nas palavras ou quando, comigo, para elas sorri. Mulherzinha. Frágil e doce mulherzinha. Como jamais sonhara ser um dia.
Ele imita meu jeito de fechar a geladeira com os flancos e, quando preparo o almoço, diz que alcachofras à veneziana não seriam tão saborosas se não tivesse visto meus gestos durante o preparo. Cronometra meus passos. Me persegue pela cozinha e me conduz ao conforto do algodão branco em seu quarto.
Me desarma quando, durante as dicussões, fala que meus olhos ficam mais verdes e mais bonitos se estou nervosa. Joga baixo e ganha. O prêmio somos nós.
Quando estou feliz sorrimos juntos. Se entristeço me abraça. Afaga meus cabelos, desliza entre os dedos o ouro fino e macio. Cúmplices, descobrimos um ao outro na troca de olhares. E nós, sempre cheios de frases crases e pontuação, silenciamos. Nem sempre precisamos das palavras.





Déa Paulino ( Minha amiga maravilhosa, dançarina e escritora )
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