
Sinto falta de como aceitávamos o convite para ser feliz e participávamos sem cerimônia de nossa festa particular, e então lamento agora ver esse salão vazio com todos os balões estourando a cada passo que você não dá, as velas soprando para longe os desejos que não se concretizaram.
Sinto falta de quando você não me faltava, de quando sabia que você chegaria sem atraso e pararia as horas, daquela expectativa que sua presença me causava, desanuviando a monotonia do cotidiano e ressaltando o que havia de bom ao meu redor.
Sinto falta de não sentir tanto sua falta, de quando eu cabia no vazio que você deixava, de quando seu caminho era acessível e me perder por ele era seguro, de quando você era um ponto de referência para o meu sorriso.
Sinto falta de quando me fazer feliz estava na sua pauta, de quando a dor da falta era saudável, de quando nos dávamos alta, da boca entendo a língua sem precisar de legenda, do nosso contato desencapando fios de alta voltagem, de quando sua vontade estava plugada em minha vida. Sinto falta do prazer simples de ficar conhecendo ainda mais você e de como a tristeza havia se tornado uma estranha arredia, de ficar vendo você me vendo, da forma como você me via, de estar na sua margem, de embarcar na sua, de me deixar levar.
Sinto falta de quando a qualquer momento seu telefonema poderia mudar minha rotina, de quando um simples e-mail seu tornava a quarta-feira menos cansativa, de quando seu número no meu celular era o mais acionado e um lugar que sempre prometia.
Sinto falta de você me procurar para saber se a gripe havia passado, de ligar para saber se eu cheguei direito, de ficar no meu colo ouvindo meus conselhos, do sorvete escorrendo pela mão enquanto conversávamos, de me tirar do sério, de me levar a sério, de correr para você e desacelerar.
Sinto falta da importância que o dia adquiria apenas porque havíamos combinado algo, de como sofisticávamos nossa intimidade com banalidades, de ver você sorrindo à toa, de como você me deixava a-toa, de ver nossos segredos livres, de como éramos mais leves.
Sinto falta da falta de distância, do seu corpo a menos de um metro, dos segundos que trancávamos num beijo, da sua mão segurando o meu tempo, das coisinhas pequenas que nos uniam e da grande afinidade que íamos descobrindo, daquela imensidão que ainda tínhamos para desvendar, do espaço que eu tinha no seu olhar, de como vetávamos a tristeza e nos permitíamos.
Sinto tanto a sua falta que dentro dela vou percebendo que suas pegadas estavam encobrindo as minhas; piso sobre elas para me impor novamente e tento fingir que elas não se encaixam perfeitamente e que não tinham o mesmo rumo.
Sinto sua falta como a falta de mim mesmo, como se algo em mim tivesse me abandonado enquanto estava dormindo, e de certa forma o sonho de ter você é quase a necessidade de me ter de volta.
Sinto sua falta a cada momento e nela vou conhecendo você melhor, seu jeito de ser está ampliado, seus defeitos aparecem mais nítidos, suas qualidades ganharam mais cores e tudo em você ficou ainda mais visível, mostrando que até seu espaço vazio me revira do avesso e que o meu avesso me coloca de frente para você.
Sinto falta de como eu era quando estava ao seu lado, mas dentro da sua falta agora me vejo crescendo, observo detalhes esquecidos, arrumo gavetas que deixei abertas por muito tempo, limpo os cantinhos e vou entrando em contato com alguém que me aparece com outra cara no espelho, olha de lado, meio que me reconhecendo, como que vindo de uma viagem sem destino. Sinto tanto a sua falta que quase esqueço o quanto sentia falta de mim e que isso foi nos distanciando. Mas ainda que tenha ficado mais inteiro com o coração partido, sinto falta de quando às vezes sentia que ao estar com você nada me faltava.
Autor : Alex .
(Texto encontrado na internet de onde tentei fuçar mais informações e o sobrenome do autor , mas não consegui.Quem souber informe pra que eu possa acrescentar aqui)
Mas que mulher não seria louca e insuportável tendo em sua vida um homem que, sempre sorrindo para disfarçar que é humano, sempre em bando para disfarçar que sente fraquezas e sempre dormindo para disfarçar que está vivo, não tem a menor idéia do que quer fazer agora, daqui dez horas e daqui dez anos?
Que mulher não ficaria insana e desequilibrada tendo na vida um homem que diz com a boca que ama mas não diz com os olhos, que diz com a boca que está ali para o que der e vier, mas não diz com os atos? Que mulher não ficaria infeliz e depressiva tendo na vida um homem que é incapaz de olhar nos olhos dela, um segundo que seja, e sentir que não precisa de mais nada?
Que mulher não piraria e não ficaria chata tendo na vida um homem cheio de músculos mas sem nenhuma força para ser um homem melhor? Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade.
Que mulher não seria digna de uma camisa de força ao ver que o homem que ela tanto considera é o maior de todos os homens por dentro, mas insiste em ser um idiota, cercado de coisas, palavras, musicas, lugares e pessoas idiotas, por fora? Eu só queria ganhar uns beijos e alguns olhares de amor, só isso.
Chega, não quero mais essa culpa, esse inconformismo e essa incapacidade de não pensar nessa merda toda. Não quero mais essa fresta por onde entra tanto frio e tanta dor. Nesse momento, fecho a porta inútil do meu consultório escuro e aproveito para fechar também a porta entreaberta que ele deixou no meu coração.
Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como ele, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente.Ele viu minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente, meu mundo de verdade. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Você querido, varreu da sua vida de mesmices seguras, de calmarias estúpidas, de ideais banais, de auto-controles medrosos, de superficialidades controladas, de felicidades fáceis, de gostos iguais, de angústias disfarçadas, de ego machucado, de baladas tristes, de meninas fúteis, de solidões acalmadas pelo sono, uma mulher com todos os defeitos e loucuras que só uma grande e verdadeira mulher que ama tem.Hoje eu fecho as portas para o ódio descontrolado de quem passa fome ao lado de grandes mansões, fecho as portas para meu lado amiga compreensiva disposta a abrir mão da minha para a sua felicidade, aproveito para fechar de vez, para você, as portas do meu coração que de tanto pedir esmolas, estava virando bandido.
(é a última vez que escreveo qualquer coisa relacionada a este assunto. Última vez que dou espaço do meu dia para um cara que não merece um segundo da minha vida. Um cara que não é nem nunca foi de verdade. )
Fê Marinho. ( Minha amiga.....intensa como eu.Escreve no http://meusecretovoce.zip.net/ )