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sexta-feira, agosto 18, 2006


NERO SEM TOCHA NÃO É NADA


Por Claudio R.klawdyos@ig.com.br

Nero conheceu Francesca e depois daí mudou completamente, ele odiava o seu nome, mas depois que ouviu - dela é claro - que não existia nada mais prazeroso de se ouvir que o próprio nome, ele começou a gostar até daquela estranheza de denominação. Todo mundo estava achando extraordinária aquela sua mudança um tanto quanto repentina, até sua mãe dizia ter desconhecido o filho naquelas últimas 04 semanas; seu pai queria deserdá-lo; seu chefe queria demiti-lo; seus amigos queriam que ele se fodesse.

Não falava noutra coisa, - Francesca me disse isso outro dia; Ah, Francesca me levou pra assistir um filme!... Que cervejada, vou ter que sair com a Francesca no domindo a tarde... ? Ele estava insuportável, não falava três palavras sem que Francesca não fosse a quarta...-

Que quarta o que, olha o respeito! Francesca sempre foi a primeira...Estão vendo como ele ficou, até no meu texto quer interromper - fica na sua deixa que eu escrevo.

?Perdão essa pequena discussão.? Como eu ia dizendo, o negócio estava tão chato que alguém teve que intervir, e coube a ele mesmo, incomodado com o seu próprio comportamento, aparecer das profundezas do seu ser, lá do âmago dele mesmo, para lhe dá uns puxões de orelha.

Ele tinha ido almoçar com ela, o que já era uma rotina até, foi ao toalete, quando lavava as mãos e o rosto, ouviu alguém falando:

- Você está achando bonito tudo isso?

- Quem está falando? De onde vem essa voz? Será que eu estou ficando doido? ? Nero nem ao menos levantou a cabeça pra ver de onde vinha a voz, olhou para um lado e para o outro, para trás, mas quem queria falar com ele estava à sua frente.

- Levanta a cabeça e olha pra mim ? a voz era impositiva, forte, estava muito ofendido com aquilo tudo, e continuou ? você acha bonito toda essa sua patacoada, estragando tudo que eu construí.

- Eu devo está doido, ?eu falando comigo mesmo no espelho?, e o pior, o eu do espelho lá ainda quer mandar ? Nero desdenhava do ?eu? dele imperativo, achando que era maluquice da sua cabeça apaixonada.

- Você deve está doido por está se tornando este perdedor de hoje, olha direito no espelho e veja. Você está com cara de bobo.

- Estou nada, minha cara nunca esteve tão boa, estou ótimo, minha pele até esticou... ? O do espelho o interrompeu:

- Ora, ora, nunca que eu andei me preocupando com rigidez de pele, que diabos está acontecendo? Até o nome, pode uma coisa dessas.

- O que tem o meu nome? O nome bonito, imponente...

- E de maluco, aliás, o nome está caindo bem em você. Veja se alguém vai achar bonitinho ser chamado de Nero... ? Nero estava convicto de sua paixão, acreditava ser a coisa certa, e assim não demonstrava muito interesse nos ensinamentos dado pelo espelho ? Ouça a voz da experiência, isso não serve pra você e pra mim também! Olha como você está deixando minha reputação.

- Escuta aqui ? Nero impacientava com toda aquela conversa ? a sua reputação só me deixou mal, comi mais de mil mulheres...

- Epa! Alto lá, você não comeu nada, no máximo tá comendo essa aí.- Ainda não estou comendo ? respondeu um desalentado Nero ? e além do mais ela não é mulher de se comer.

- Como é que é? Quer dizer que ela é o que, por acaso, não tem boceta, ela é entupida? ? sorria sarcasticamente.

- Olha como fala, e como eu ia dizendo, eu comi ? o do espelho já ia interromper, mas Nero se corrigiu ? você comeu mais de mil mulheres e o que restou? Nada. Não ficou com ninguém, não sentiu carinho por ninguém, ninguém te deixou de bem com a vida, com os amigos...

- Você por acaso está vendo o que os meus amigos estão fazendo contigo? Eles estão te abandonando, você não é mais o mesmo cara que eles conheceram, não é o pegador inveterado, o cara que curtia com eles...

- Eu não tenho mais tempo para curtir com eles, mas sempre os encontro, eles é que...

- Eles que fogem ? interrompeu o do espelho, demonstrando a sua inquietação ? ninguém quer ficar perto de você, a não ser aquela coisa que você nem comendo está. E olha que ela é até gatinha e tudo, mas você virou um bocó. Você está indo na academia?

- Não, mas é por que... ? Ele procurava uma resposta, mirava o teto, circulava o olhar, socava levemente a testa, mas não encontrava outra resposta que não fosse ?Francesca?.

- Tá vendo, você não faz mais nada de bom. As gatinhas da academia... Não acredito que você não enxerga mais isso, não acredito que tudo que eu fiz foi desperdiçado.

- Não sei por que você acha um desperdício...

- Faz o seguinte, coloca sua mão assim, com a costa virada pra mim e a palma pra você ? mantinha um olhar sarcástico enquanto, comandava a ação que viria ? agora vai com ela de encontro a sua cara com toda força.

- Quer me fazer de otário? ? Nero quase que executa a ação ordenada pelo seu eu, mas não fora suficientemente hipnotizado.

- Eu não estou querendo te fazer de otário, você se fez dum otário e só você não vê isso. Veja só! Querer romance, namorinho no portão, andar de mãos dadas, e nada do bem bom, deve ser por isso que você está bestificado deste jeito.

Nero responde num tom zen: - A paixão é bom, é uma coisa boa de sentir, te deixa revigorado...-

Revigorado o cacete! Eu tinha 48 cm de bíceps e olha só pra este ser raquítico, mirrado, nem comido tem direito, aliás, nem sei o que veio fazer aqui. Já sei, veio gastar dinheiro. O dinheiro que as minhas excelentes idéias me deram. ? Nero interrompeu dizendo:

- Olha só, imagem não é nada, tudo bem, serve pra ganhar umas meninas, mas as mulheres de verdade gostam do que você sente aqui ? apontando o indicador do lado esquerdo do peito ? onde nós guardamos os nossos verdadeiros sentimentos.

- Por acaso você mijou hoje?

- Mijei, por que?

- Só pra saber se você ainda se lembra o que tem dentro das calças, ultimamente você só deve está usando pra mijar mesmo... E escuta aqui! Para com esse lenga-lenga pseudo-romântico, vá se foder, ou melhor, vá foder com alguém, quer romance vá ler um livro.Nero pacientou-se, refletiu nas lições do espelho e disse: - Eu vou tomar uma decisão, não se preocupe, estamos combinados. Além do mais eu já demorei de mais aqui e a Francesca já não deve está gostando muito disso.

O do espelho colocou uma das mãos tapando a face e a outra expulsando Nero dali, como se antevisse que o imperador não está tão imperador assim e que a relação que ele arranjara, tal qual Roma, só estava queimando a sua fama de colecionador de conquistas.

- Oi Francesca, desculpe a demora, eu tenho uma coisa pra te dizer, eu estive pensando muito e... Deixa eu te falar no ouvido ? puxou-a para falar no ouvido, ela soltou um risinho amarelo e respondeu:

- Ora Nero! Eu pensei que você nunca fosse me convidar... Mas vai ser onde, no meu apartamento ou no seu?

- Tanto faz, pode ser no meu... Agora vamos comer bem pouquinho para não da uma congestão.


(Claudio R. O Ladrão de Palavras depositadas no próprio subconsciente e que anseiam, com tamanha urgência, emergir para o papel.)

Claudio por ele mesmo. ( Para ler mais e saber mais acessem : http://oladraodepalavras.blig.ig.com.br/ )



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